Um simples comentário, uma inocente frase, um pequeno floco que rapidamente se tranforma em uma enorme bola de neve. Uma fofoca boba pode acarretar em efeitos catastróficos, briga entre amigos, término de namorados e, até mesmo, a ira de um autor de novela. Sim, isso mesmo que você leu. Outro dia li na internet sobre os "otakus" estarem furiosos com um autor global, uma vez que ouviram dizer que faria uma novela baseada neles. Ao invés de sentirem-se lisonjeados, atacaram-no com palavras ofensivas, acusando-o de não ter o conhecimento necessário para tal. Em resposta, o autor afirmou que tudo não passou apenas de um boato, fundamentado em algumas fotos de sua viagem ao Japão que foram postadas pelo próprio na internet. Acrescentou ainda que, agora, mesmo que fosse escrever sobre eles, a impressão deixada não fora nada agradável.
Será que vale a pena acreditar em palavras sem provas concretas de veracidade? Digo isso pois, muitas vezes, já fui vítima do famoso "leva e trás". Alguém, cujas intenções não são nada boas, resolve brincar de contar mentiras de outra pessoa para você, da sua pessoa para o próximo e assim sucessivamente, em um ciclo vicioso e sem fim. Resultado? Se todos acreditarem nas "verdades" contadas, parcialmente ou em sua totalidade, muitas relações serão abaladas ou até mesmo sofrerão um fim definitivo.
A fofoca tem um poder destrutivo subestimado pelas pessoas. Cuide bem de suas palavras, elas podem acabar magoando alguém muito importante pra você.
Hoje recebi um e-mail que me fez repensar algumas atitudes minhas e das pessoas à minha volta. Quando trombamos com algum desconhecido na rua, pedimos desculpas e nos sentimos até sem jeito, certo? Agora, se o mesmo acontece com uma pessoa que estamos "acostumados" a ter por perto, muitas vezes nossa reação não é nada amigável, não é mesmo? "Idiota, olha o que você fez!", "Tem olho pra que, hein?!", "Vê se presta mais atenção, meu!".
A rotina faz com que esqueçamos do valor que eles têm. Pai, mãe, irmão, namorada, vizinho, avô, avó, tio, tia, muitas vezes acabamos os tratando como um cachorro de rua sarnento, sem perceber o quanto são importantes e fundamentais às nossas vidas. Perdemos oportunidades de dizer que os amamos e que queremos tê-los por perto para sempre. O problema é que o para sempre não existe. Assim como toda matéria orgânica, o corpo humano também atinge seu limite, um dia a "máquina" pifa e não tem mais conserto. Se por alguma razão qualquer, sua vida tiver que chegar ao fim, seu chefe, em questão de dias, entrevistará novos candidatos e preencherá a vaga vazia; aquele banco no ônibus que você estava acostumado a sentar servirá de assento para outra pessoa, as pombas da pracinha que você alimentava toda a tarde com migalhas de pão logo encontrarão outra fonte de alimento diária. Agora, pense em como ficarão seus familiares e amigos? São eles que irão chorar a sua perda, são esses corações que ficarão desolados por dias, são essas pessoas que se arrependerão do dito e do não dito.
E o mesmo poderá acontecer com você. Quando menos se espera, alguém vai embora e nem sempre temos tempo de nos despedir dignamente. É aí que a ficha caí e percebemos quanto tempo foi desperdiçado com brigas bobas ou discussões sem fundamento algum, enquanto podíamos ter desfrutado mais um da companhia do outro.
Aproveite enquanto ainda há tempo de dizer que os ama, se arrepender depois não servirá de consolo, não os trará de volta para perto. Terá que dizer adeus com um arrependimento que ficará preso em sua garganta pelo resto de sua vida.