Engraçado como acontecimentos da minha rotina sempre me rendem bons assuntos para escrever sobre. O que significa que o texto de hoje não fugirá disso.
O cenário era, mais uma vez, minha ida ao trabalho de transporte público; e a protagonista da vez, a mulher que sentava no banco ao meu lado.
Em alguma das estações, entrou no vagão uma daquelas pessoas que vem munidas de uma criança nos braços e distribuem bilhetinhos com palavras apelativas para pedir dinheiro. Não estou entrando na questão da veracidade dos recados desses papéis ou na legalidade de tais ações, isso com certeza renderia um novo post. O que me indignou, na verdade, foi reparar que assim que o rapaz entrou no trem, quem estava sentada ao meu lado imediatamente fechou os olhos e fingiu estar dormindo. Tudo isso para não pegar um papel na mão e, se for contra sua vontade doar alguma contribuição, simplesmente devolve-lo ao dono.
E essa não foi a primeira vez que me deparei com esse tipo de gente mal educada, já que esse é o adjetivo mais ameno que posso escolher para usar, que instantaneamente cai no sono assim que vê um idoso, deficiente ou criança entrar no metrô ou ônibus. Como se "dormir" também fechasse os olhos da própria consciência e tirasse o peso da preguiça ou má vontade de ceder o lugar para alguém que claramente está necessitando mais.
A má educação está presente em toda parte, a todo momento. Naqueles que "espertamente" tentam furar fila para poupar minutos do seu dia e desperdiçar os dos outros. Em pessoas que viram o rosto e fingem não ver os entregadores de folheto, tratando-os como se fossem um poste no meio da calçada. Nos mais abastados financeiramente, que, ao avistarem recém aprovados na faculdade, fecham o vidro do carro e não tiram os olhos do semáforo. Certamente meia dúzia de moedas lhes fará muita falta no final do mês. Em clientes que se revoltam com a burocracia brasileira e despejam sua raiva em quem está do outro lado da linha, quando na verdade eles estão apenas seguindo ordens de superiores. Nos apressados que carregam enormes bolsas ou malas pesadas e não se dão ao trabalho de se desculpar quando trombam em você ou passam por cima do seu pé. Em motoristas inconsequentes que desprezam o fato do carro da pista ao lado ter parado para um pedestre e continuam seu caminho, ignorando quem estiver à sua frente. Eu poderia ficar aqui páginas e dias listando casos de ausência de educação.
Mas talvez, o que mais me revolte é que, caso você reclame com qualquer uma dessas pessoas das situações acima, o mínimo que vai ouvir são algumas palavras de baixo calão ou buzinadas na orelha, quando não coisas piores. Não entendo como tem gente que se acha o umbigo do mundo, a ponto de pensar que está livre de se comportar como alguém civilizado. As regras de boa conduta valem para todos, menos para eles.
Isso porque os adultos de hoje, em sua maioria, tiveram pais rigorosos em sua infância. Me pergunto o que será do mundo quando esse bando de crianças que se jogam no chão e berram porque querem um brinquedo ou um sorvete crescer. A palavra educação perderá seu lugar no dicionário.



Recentemente tenho escrito e apenas arquivado meus pensamentos dentro dos rascunhos. Provavelmente por se tratarem de textos sobre sentimentos, lado meu que não me sinto à vontade para mostrar por completo ao mundo. São poucas as pessoas as quais tenho coragem de ser totalmente transparente nesse aspecto, poucas mesmo. Mas hoje resolvi escrever sobre um assunto que me veio à mente um dia desses, no percurso de casa até o metrô. 
Enquanto eu subia a rua, embalada pela música dos meus fones de ouvido, uma cena saltou diante de meus olhos e imediatamente chamou minha atenção. Um garotinho, que devia ter por volta de 6 ou 7 anos, brincava com uma caixa de papelão, emitindo sons que se assemelhavam aos de um carro. Era um menino obviamente desprovido de boas condições financeiras, mas exibia um sorriso lindo em seu rosto. Brincava com tanta alegria e disposição que meus lábios não puderam evitar de sorrir também.
Mas, observar aquele pequeno remeteu-me a um episódio que acontecera com o filho de uma conhecida minha. Ele tinha menos de 2 anos e havia ganho um bichinho de pelúcia, o qual ele mesmo escolhera. Assim que o brinquedo fora retirado da embalagem, o menino começou a apertá-lo em todos os cantos e, ao constatar que não emitia qualquer som ou música, arremessou-o de volta ao carrinho, visivelmente insatisfeito.
Não pude evitar de comparar essas duas realidades tão distintas. Um que se satisfaz com o pouco que tem e vê felicidade nas pequenas coisas da vida. Outro, mesmo ainda tão pequeno, já se irrita quando algo não atende às suas expectativas.
O mais triste é que, provavelmente, isso refletirá nos adultos que essas duas crianças se tornarão. O menor será o estereótipo de homem mais consumista e fútil possível, querendo sempre o último modelo e a versão mais nova de tudo que existir . O mais velho provavelmente não terá boas condições de estudo nem uma vida luxuosa, mas certamente se tornará um rapaz feliz e muito diferente do primeiro.
Não estou dizendo que a quantia de dinheiro influencia no nível de felicidade das pessoas, mas a criação que elas recebem e os valores que lhes são passados importam, e muito. Conheço muita gente rica que não se atém nem um pouco no ter, e sim no ser. Assim como existem muitas pessoas desprovidas monetariamente que dividem suas compras em parcelas a perder de vista, procurando no "status" de ter um iphone, o seu contentamento.
É claro que cada um tem sua definição do que é ser feliz, só não entendo como alguém pode valorizar mais os zeros em sua conta bancária e os eletrônicos de última geração do que ter as pessoas que te querem bem por perto.


Manhãs já não são o meu forte. Acordar cedo, pegar transporte público cheio e suportar a má educação das pessoas, menos ainda.

Quem utiliza o metrô conhece a luta quase apocalíptica que é sair de um vagão quando muita gente quer entrar. E eu, que sou uma criatura totalmente desprovida de tamanho, sofro ainda mais com isso.
Apesar de não dever, mas estar habituada com a grosseria corriqueira da maioria dos indivíduos no trajeto de casa até o trabalho, essa semana estive a ponto de explodir com a "delicadeza" de um senhor.
A estação em que desembarco todos os dias é depois da tumultuada e abarrotada sé, o que normalmente significa um pouco mais de civilidade na hora de descer.
Acontece que havia um homem cuja pressa parecia ser a de quem estava prestes a tirar o pai da forca e, para isso, necessitava passar por cima de todos que estivessem à sua frente, inclusive eu. O resultado disso foi uma sucessão de empurrões, seguida de uma cotovelada na minha cabeça, tão forte, mas tão forte, que meu cérebro quase foi parar do outro lado do vagão. Assim, o resquício de bom humor que existia em mim naquela manhã foi embora ralo a baixo.
Ironicamente, nesse mesmo dia, li uma reportagem sobre uma mulher que teve seu casamento cancelado e, como muitos preparativos não podiam mais serem desfeitos, resolveu dar um jantar para moradores de rua com a comida da festa.
Ela transformou toda a dor e tristeza que estava sentindo em 200 sorrisos. A sensação foi tão boa e gratificante que a moça e sua família disseram pretender repetir o ato no próximo ano.
E então, eu me pergunto se vale a pena toda essa correria e rudeza, todo o stress e palavras atravessadas com os quais simplesmente nos habituamos. Quando, na verdade, não existe sentimento mais acalentador que proporcionar um sorriso ao próximo.

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