Recentemente tenho escrito e apenas arquivado meus pensamentos dentro dos rascunhos. Provavelmente por se tratarem de textos sobre sentimentos, lado meu que não me sinto à vontade para mostrar por completo ao mundo. São poucas as pessoas as quais tenho coragem de ser totalmente transparente nesse aspecto, poucas mesmo. Mas hoje resolvi escrever sobre um assunto que me veio à mente um dia desses, no percurso de casa até o metrô. 
Enquanto eu subia a rua, embalada pela música dos meus fones de ouvido, uma cena saltou diante de meus olhos e imediatamente chamou minha atenção. Um garotinho, que devia ter por volta de 6 ou 7 anos, brincava com uma caixa de papelão, emitindo sons que se assemelhavam aos de um carro. Era um menino obviamente desprovido de boas condições financeiras, mas exibia um sorriso lindo em seu rosto. Brincava com tanta alegria e disposição que meus lábios não puderam evitar de sorrir também.
Mas, observar aquele pequeno remeteu-me a um episódio que acontecera com o filho de uma conhecida minha. Ele tinha menos de 2 anos e havia ganho um bichinho de pelúcia, o qual ele mesmo escolhera. Assim que o brinquedo fora retirado da embalagem, o menino começou a apertá-lo em todos os cantos e, ao constatar que não emitia qualquer som ou música, arremessou-o de volta ao carrinho, visivelmente insatisfeito.
Não pude evitar de comparar essas duas realidades tão distintas. Um que se satisfaz com o pouco que tem e vê felicidade nas pequenas coisas da vida. Outro, mesmo ainda tão pequeno, já se irrita quando algo não atende às suas expectativas.
O mais triste é que, provavelmente, isso refletirá nos adultos que essas duas crianças se tornarão. O menor será o estereótipo de homem mais consumista e fútil possível, querendo sempre o último modelo e a versão mais nova de tudo que existir . O mais velho provavelmente não terá boas condições de estudo nem uma vida luxuosa, mas certamente se tornará um rapaz feliz e muito diferente do primeiro.
Não estou dizendo que a quantia de dinheiro influencia no nível de felicidade das pessoas, mas a criação que elas recebem e os valores que lhes são passados importam, e muito. Conheço muita gente rica que não se atém nem um pouco no ter, e sim no ser. Assim como existem muitas pessoas desprovidas monetariamente que dividem suas compras em parcelas a perder de vista, procurando no "status" de ter um iphone, o seu contentamento.
É claro que cada um tem sua definição do que é ser feliz, só não entendo como alguém pode valorizar mais os zeros em sua conta bancária e os eletrônicos de última geração do que ter as pessoas que te querem bem por perto.


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