E mais uma vez, aquele cujo dever é apenas me ensinar teorias sobre átomos, moléculas e partículas, cumpriu um outro papel: o de me fazer refletir sobre um assunto no qual nunca havia parado para pensar.
Muitas pessoas com alto poder aquisitivo consideram-se superiores às camadas sociais mais baixas, como se possuir muitos zeros na conta bancária as tornasse melhores, lógica essa que até hoje eu não consegui entender. Seguindo esta linha de raciocínio, esses mesmos indivíduos reservam-se no direito de cometer atos que, se fossem feitos por alguém financeiramente desprivilegiado, certamente seriam passíveis de punição severa.
Jogadores de futebol matam pessoas no trânsito e são absolvidos, o ex-coordenador da lei seca no Rio de Janeiro atropela pessoas por estar dirigindo embriagado, filhos de famílias ricas matam e não sofrem punição alguma.
Algo que eu realmente não consigo entender é por que o dinheiro tranforma indivíduos e atitudes ruins em bons? Poder comprar um carro importado te torna geneticamente modificado? Fazer viagens para o exterior todas as férias o transforma em um ser supremo? Sinceramente, creio que não.
Pensando assim, gostaria de entender o por quê da sociedade criticar e recriminar tanto as "garotas de programa". Elas estão lá com o propósito de ganhar dinheiro sem criar laços afetivos, certo? Ao meu ver, não fazem mal e nem prejudicam ninguém. Acho estranho considerarem isso um "trabalho errado", enquanto existem apresentadoras de programas televisivos que dormem com cantores de rock apenas para gerarem um filho e poderem receber pensões milionárias. Alguém pode me dizer se há alguma diferença entre as duas?

Há algum tempo, um garoto de 19 anos foi preso por causar uma série de acidentes em São Paulo. O carro que ele dirigia custava cerca de 200 mil reais e, como foi constatado, ele estava embriagado.
Assistir uma notícia como essa e ouvir algo que meu professor de química tinha a dizer realmente me fizeram pensar sobre o por quê de drogas serem ilegais e álcool ser considerado algo normal.
Ambos têm efeito viciante, alteram o comportamento do indivíduo e o fazem tomar atitudes impensadas que podem acarretar em desgraças, como a desse garoto. Então, você vai preso se usa drogas, mas tudo bem encher a cara em uma balada e sair dirigindo sem controle pelas ruas. Mesmo que a polícia te parar, você pode se negar a fazer o teste do bafômetro, já que não podem te obrigar a produzir uma prova contra si mesmo.
Não estou discutindo a validade de drogas serem consideradas ilegais. Apenas acho que as leis para este tipo de crime poderiam ser um pouco mais rigorosas. Estamos falando de vidas, de pessoas inocentes que podem ter seus destinos mudados drasticamente por um simples moleque inconsequente que pensa ser dono do mundo.
As pessoas não se importam de gastar fortunas nos bares, mas se recusam a pagar um táxi para voltar para casa mesmo quando suas pernas mal o aguentam em pé. Isso é como a história da importância de utilizar o cinto de segurança, as pessoas têm que entender e se conscientizar de que dirigir alcoolizado traz riscos à vida do condutor, dos passageiros, dos pedestres e, principalmente, de que o álcool não o torna um ser indestrutível e com poderes mágicos.

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