Há algumas semanas, quando estava fazendo muito frio na terra da garoa, eu estava voltando para casa e acabei me deparando com alguns bombeiros socorrendo uma pessoa que estava deitada no chão. A princípio, pensei tratar-se de alguém que havia tido um infarte. Mas, ao observar melhor, pude notar que era alguém que, na verdade, estava sucumbindo devido ao frio.
Ver aquela cena me fez começar a pensar por quantas dificuldades não passa um morador de rua. Coisas simples e essenciais como um banho e uma refeição não podem ser feitos com a frequência necessária, noites geladas de sereno tornam-se uma constante na vida dessas pessoas. Nos dias de frio intenso, a única coisa que lhes resta é enrolar-se em um cobertor e procurar algum lugar que os proteja do vento e da chuva que possa vir a cair. O pior de tudo é pensar que não são apenas um ou dois cidadãos que se encontram nessa situação, são milhares de pessoas que não conseguem ter uma condição digna de vida.
São essas mesmas pessoas que, ao procurar um hospital público, precisam esperar horas em filas intermináveis ou até mesmo têm o atendimento negado e são encaminhadas a outro local igualmente lotado e sem condições de atendê-los.
Não falo apenas dos moradores de ruas, mas também daqueles cujas casas são apenas um amontoado de madeiras que ameaçam cair com a primeira ventania que bate. Crianças as quais os pais obrigam-nas a ir pedir dinheiro no farol ao invés de frequentarem a escola. Pequenos esses que provavelmente, em um futuro próximo, estarão sendo presas por assalto ou tráfico de drogas.
Enquanto uma parcela da sociedade não consegue nem o mínimo para ter uma vida decente, o governo gasta 30 milhões de reais na festa de sorteio dos grupos da copa de 2014. Muito justo mesmo, não?

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