Conversando com um amigo sobre crianças, entramos em uma discussão sobre a origem do amor dos pais. Confesso que já tive e, por vezes ainda tenho, inúmeros conflitos com meus progenitores. Regras impostas, conduta moldada, ordens, broncas e sermões estão no hall de coisas que frequentemente geram revolta por parte dos filhos.
Mas, independente de quantas brigas aconteçam, eles estarão sempre dispostos a lhe sorrir de novo. Continuarão pensando no seu bem, desejarão o melhor para seu futuro, farão de tudo para te ver feliz.
É difícil entender quão profundo pode ser esse sentimento
quando ainda não se teve filhos e, provavelmente, só seremos capazes de
compreendê-lo completamente quando tivermos os nossos próprios.
Segundo a teoria desse mesmo amigo, pais recebem "uma característica a mais", um dom de poder amar seus pequenos de forma incondicional e infinita. Amor esse tão imenso que lhes permite dar até a própria vida por eles caso seja necessário, sem pensar duas vezes, sem o menor arrependimento.
Com o passar dos anos, apesar de não compreender, você passa a admirar esse sentimento. E isso, talvez, faça com que uma reciprocidade maior nasça e comece a se desenvolver. Depois dos tempos turbulentos da adolescência, da fase em que o mundo parece conspirar para que sua vida dê errado, você passa a entender que tudo, até mesmo os erros, são feitos pensando pura e simplesmente em nosso bem.
Apesar dos muitos atritos que já tive com o casal que me gerou, espero que um dia, caso eu venha a ser mãe, consiga educar e criar com o mesmo afinco que eles tiveram comigo. Quero ser um bom exemplo e trazer à vida alguém que ajude a fazer desse mundo um lugar melhor de se viver.
Essa semana estive conversando com duas amigas sobre a dificuldade que temos em expor nossos sentimentos. Não digo por elas, mas isso acontece comigo em todos os campos da minha vida, seja ele amoroso, familiar ou de amizade.
Sempre tive uma facilidade maior para me expressar através da escrita, escolheria escrever uma carta de 20 páginas a ter que proferir um discurso de 1 minuto. Sei que isso é uma característica intrínseca a mim e que é apenas mais um dos fatores que compõem o meu "eu", mas isso se torna um problema ao atrapalhar minhas relações interpessoais. É muito difícil querer e não conseguir transparecer o quão importante uma pessoa é para você, não ser capaz de demonstrar toda sua gratidão, nem de dizer o quanto realmente se arrependeu.
Muitas vezes, as lágrimas tomam o papel das palavras não ditas, tentam desafogar o coração de todos os sentimentos enclausurados. Em outras, não. E talvez por isso, eu tenha a escrita como uma válvula de escape. A única maneira com a qual consigo expressar, não exatamente, mas com a maior precisão possível, o que sinto e penso.
Provavelmente isso acontece porque diálogos são instantâneos, não há muito tempo para se pensar no que dizer. Em contrapartida, os textos podem ser escritos, apagados, reescritos e melhorados, na tentiva de torná-los o mais próximo possível do que se quer transmitir.
Sei que poucos lerão o que estou escrevendo agora, mas quero deixar resgistrado aqui meu pedido de desculpas. Perdõem-me por parecer fria e impessoal, tantas e tantas vezes. Desculpem-me por ter de me esconder atrás das palavras para conseguir ser totalmente verdadeira. Feliz ou infelizmente, sou assim, garota das letras, menina escritora.
Sei que posts neste endereço estão se tornando tão frequentes quanto um eclipse solar. Me sinto realmente desapontada comigo mesma por não estar conseguindo cumprir a meta de ao menos um texto mensal que me estipulei quando iniciei este blog.
Não há um motivo específico pelo qual eu tenha diminuído as coisas que escrevo, talvez tenha sido a somatória da falta de tempo com o turbilhão de problemas que andaram chacoalhando minha vida nesses últimos meses.
O fato é que, mesmo com temas muito bons passando diante de meus olhos, não fui capaz de produzir uma linha publicável recentemente. Mas, essa semana, li uma notícia na internet que tocou meu coração e, talvez, tenha acendido a luz do quarto escuro que anda guardada minha inspiração.
Um garotinho de sete anos, morador da cidade de Goiânia, vendo a dificuldade de aceitação dos óculos de grau de sua irmã caçula, resolveu pensar em algo que pudesse ajudá-la. Utilizando-se do gênero literário preferido dela, ele criou um conto de fadas cuja protagonista era uma princesa que usava óculos. O efeito surtido foi como esperado e a garota deixou de se sentir incomodada por ter de usar as lentes.
Ao ler essa matéria, não pude deixar de comparar a bondade presente no coração das crianças com o que acontece quando nos tornamos "grandes". Apesar de ter ingressado no mercado de trabalho recentemente, já pude me deparar com diversas situações as quais só posso definir com uma palavra: repugnante.
É asqueroso ver como existem pessoas que fazem o que for preciso parar chegarem onde almejam.
Sorrir na sua frente e falar mal pelas costas, bajular o chefe, puxar o tapete de quem um dia lhe estendeu a mão, distorcer fatos, fazer fofoca. A lista de coisas que o ser humano é capaz de fazer para ganhar uma promoção ou um aumento de salário é imensa. Muitos jogam para baixo do tapete todos os ensinamentos que receberam quando tinham a idade daquele casal de irmãos acima citados, em nome da ganância e da auto realização.
Obviamente não estou dizendo que não devemos ter objetivos e persegui-los, só considero sórdido demais aqueles que ignoram qualquer princípio e moral para alcançá-los.