Ultimamente a população mundial está cada vez mais afundando sua saúde com fast foods, entupindo seus organismos de corantes, conservantes e alimentos cujo teor proteico é praticamente zero. Em contrapartida, quando se deparam com um cardápio minimamente saudável e nutritivo, torcem o nariz e se recusam a comer, com o argumento de não satisfazer seu gosto.
Mas, pense em uma situação hipotética, em que você tenha que comer restos de alimentos que os outros não querem mais. Comida apodrecida é sua principal refeição e a água em que porcos ficam "descansando" torna-se seu único meio de não desidratar. Uma vez que não há fonte de água potável e esses animais são sagrados, sendo, portanto, proibido comê-los. Horrível, não? Agora, qual seria sua reação se eu dissesse que, em algum lugar desse mundo supostamente tão desenvolvido, existem pessoas que realmente vivem nessas condições durante toda a sua vida?
Em Porto Príncipe, cidade situada no pequeno Haiti, existe um local apelidado de "cozinha do inferno". Roupas sujas e doadas se misturam com alimentos podres, que são o meio de sobrevivência de muitos haitianos. Cidadãos esses cujos bens foram destruídos pelo terremoto que assolou o país ano passado e agora vivem em algum dos 123 abrigos existentes. Não há qualquer sombra de saneamento básico, as necessidades fisiológicas são feitas em banheiros químicos completamente imundos e malcheirosos ou ao ar livre, milhares já morreram vítimas de cólera e toneladas de entulho, decorrentes do tremor, entopem o caminho da água potável à população.
Segundo a reportagem que meu pai viu em um canal de televisão fechado, um pequeno garotinho correu seis quilômetros apenas por ouvir dizer que ganharia um lanche: duas bananas e água limpa.
Então, da próxima vez que você for reclamar de algo que foi posto à mesa, por favor, lembre-se desse menino e pense duas vezes antes de dizer não. Tenha certeza de que muitos dariam qualquer coisa para estar em seu lugar.
Essa semana me impressionei com a história de um garotinho de cinco anos, morador do estado de Kansas, nos Estados Unidos.
Aidan Reed deveria ser apenas mais uma criança brincando com seus carrinhos no quintal de casa, se não fosse pelo diagnóstico de leucemia que recebeu em setembro do ano passado.
Passou meses internado no hospital e seus pais até hipotecaram a casa, na tentativa de juntar dinheiro suficiente para pagar o tratamento do filho, cuja doença tinha noventa porcento de chances de cura. Mas, nem mesmo com todo esse esforço, a quantia necessária foi reunida e já não havia mais economias para custear as contas de hospital do garoto.
Eis que surgiu a idéia de vender os desenhos de Aidan pela internet. Quem os viu pela televisão ou qualquer outro meio de comunicação em massa, pode observar que se tratam de desenhos comuns de crianças de sua idade. Monstros, cavaleiros e super-heróis, foram vendidas cerca de três mil das produções do tempo em que esteve internado. O total arrecadado atingiu 30 mil dólares, quantia suficiente para pagar o tratamento do pequeno.
Quando ouvi essa reportagem na televisão, assumo que meus olhos encheram-se de lágrimas. Um ser tão pequeno, indefeso e inocente tendo que lutar contra algo extremamente complicado. No cotidiano, às vezes nos esquecemos do quão valentes podemos ser e reclamamos no primeiro murinho que aparece em nosso caminho, sendo que o único esforço que precisaríamos fazer era dar um pulinho mais alto. Esse garoto luta contra uma muralha e ainda mantém aquele sorriso doce de uma criança.
Mas, ver a ajuda que ele recebeu, encontrar nas pessoas essa solidariedade e compaixão, me faz pensar que, apesar dos pesares, esse mundo ainda tem solução.