Tudo começou há muitos anos, quando minha mãe quis me proibir de andar com uma amiga por achar que ela seria má influência para mim na escola. As notas baixas e falta de estudo dela supostamente fariam com que eu seguisse o mesmo caminho. Não fora a primeira vez que me disseram não saber discernir o certo do errado por ter apenas quinze anos e, provavelmente, não seria a última também.
É claro que as pessoas tendem a se aproximar daquelas com quem têm maior afinidade, é natural que queiram estar com as quais se sentem confortáveis. O que eu acho errado é o outro lado da moeda, te pré julgarem baseando-se no comportamento dos seus amigos, assumirem que só por andar com certo tipo de gente, você é exatamente como eles.
Muitas pessoas se afastaram de mim ou deixaram de se aproximar pelo simples fato de me igualarem às minhas companhias. O que nunca pensam é que posso me dar bem com elas sem pensar e agir exatamente da mesma forma, não sou um robô programado para copiar aqueles que estão à minha volta, tenho vontade e gostos próprios, princípios dos quais não abro mão por amizade nenhuma.
 Não estou dizendo que sou melhor ou pior que ninguém, nem ao menos tenho o direito de fazer isso, mas gostaria que ao menos tivessem a decência de trocar meia dúzia de palavras comigo antes de me rotularem pela embalagem do vizinho. Ficaria muito grata, de verdade.

“Você não tem nenhum defeito para não ser aceito.”. Essa foi a fala da personagem de uma novela voltada ao público infantil, cuja lição de moral eu realmente não entendi. Ao meu ver, a autora quis dizer que pessoas com defeito não devem ser aceitas, o que transmite um enorme preconceito. Outra conotação a ser considerada é a de que existem defeitos inaceitáveis, mas acho que não cabe a nós julgarmos os outros quando todos temos nossas próprias fraquezas.
O engraçado é que muita gente pensa que seu problema é sempre menos corrigível ou mais ameno comparado com o do vizinho, fazendo-as pensar que podem condenar o próximo por seu comportamento. Falar da vida alheia parece ser um esporte nacional e, muito diferente do que se pensa, nem um pouco restrito apenas ao sexo feminino. Não estou dizendo que nunca julguei ninguém, seria uma hipocrisia da minha parte, apenas gostaria de ressaltar que estou cansada de ouvir conselhos de como eu deveria ser, quando esses mesmo não mexem uma vírgula para corrigirem a si mesmos.
O pior de tudo é despejarem sobre mim suas lições lotadas de moral, como se fossem seres superiores ou semideuses, reluzindo e exalando experiência e sabedoria. Tenho muitos defeitos, com toda a certeza do mundo, mas venho trabalhando em alguns deles há anos, enquanto alguns contentam-se em passar o tempo apontando o dedo para os outros.
Como disse uma amiga minha, “Vou dar um gato a ele, assim terá sete vidas para cuidar e quem sabe deixe a minha um pouco em paz.”.
Ps: Não levem para o pessoal, isso só é algo que eu pensei depois de ouvir essa frase citada.

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