Já confiei muito em quem não devia, dividi segredos com pessoas que provaram não merecer nem ao menos uma ínfima parte da minha confiança e respeito. Aos poucos, você aprende que nem todo mundo é digno de receber o adjetivo de confiável. Muita gente simplesmente não se importa e, por mais que tenha sido dito ser algo confidencial, ela espalha aos quatro ventos, pra quem quiser ouvir.
Amigos podem tornar-se apenas conhecidos em um piscar de olhos, sabe? A amizade é como uma folha de papel, uma vez marcado um vinco, nunca mais será desfeito. É divertido ver a decepção estampada no rosto do outro quando uma coisa íntima é revelada? Ou é apenas ego fútil de dizer que sabe algo importante pro vizinho que desconhece? Juro que não entendo o por quê de não guardar pra si o que lhe foi confiado.
Inúmeras vezes fizeram pouco caso do que contei. Tantas que, com o tempo, passei a partilhar menos e menos momentos da minha vida, até chegar a um ponto em que prefiro poder contar nos dedos de uma só mão os indivíduos que conhecem coisas ao meu respeito. A todos vocês que um dia traíram minha confiança, deixo aqui meus agradecimentos. Obrigada por me magoarem, por serem pateticamente infantis, por talvez até rirem de mim pelas costas e, principalmente, por me provarem que confiança é algo que se conquista e não deve ser dado a qualquer um que te sorrir. A grande maioria te dá uma facada na primeira oportunidade que tiver e ainda bebe seu sangue em uma taça de orgulho.
Talvez, só eu ainda não havia me dado conta de que estava no caminho totalmente errado há três anos. Me desculpe por ser repetitiva, mas esse assunto está transformando minha vida em um turbilhão de pensamentos e atitudes desde o natal.
Ver uma amiga desistir da faculdade e. mesmo com todas as adversidades, estar feliz e sem arrependimentos, assistir uma outra pessoa fazer um curso muito semelhante ao que eu sempre quis pra mim, escrever nesse blog e criar histórias reacenderam uma antiga vontade minha. Algo que eu nem existir mais, mas percebi que estava apenas guardado em um cantinho no fundo do meu coração, esperando o momento certo para voltar à tona.
No passado, por puro medo, deixei esse desejo para trás e vim ignorando-o por todo esse tempo. Longos cinco anos, em que amadureci e juntei coragem para ir atrás do eu quero, para fazer o que eu amo. Como costumo dizer, não tenho dom e nem escrevo bem, apenas o faço com a minha alma e paixão.
Ainda tenho uma árdua estrada pela frente, sei muito bem os obstáculos que me esperam na próxima esquina, mas o que um dia me amedrontou, hoje encaro com bravura e veemência; a ânsia de alguém que agora sabe o que quer e vai até o fim para conseguir. Sonhos não morrem...