Ontem eu não estava me sentindo bem, de alguma forma, algo me deixou meio deprimida. Hoje pela tarde, vim descobrir o por quê. Nunca me importei de ter poucos amigos e já havia me acostumado com o fato de sempre acabar sendo deixada de lado, porque no fim das contas, as "pessoas de sempre" ainda estavam lá, mesmo depois de todo mundo ter ido embora.
A grande novidade agora é que até quem ficava comigo resolveu me virar as costas. Gostaria de saber se o problema sou eu. Por mais que eu tente ser uma boa amiga, parece que, afinal, só sei fazer as coisas do jeito errado.
Não peço desculpas se julgar estar certa, estou longe de distribuir gentileza a quem não merece, meu humor é levemente inconstante, sou resmungona, não entendo piadas de duplo sentido, falo demais, rio alto, choro fácil, implico com os outros, tenho muito sono e costumo sempre me atrasar.
Mas, em contrapartida, sou daquelas que consegue suportar ouvir qualquer atrocidade a meu respeito, contanto que não mexam com quem eu gosto. Sou também a que vai lhe dar sermão caso esteja errado, mas, em momento algum, deixarei de te apoiar e estar ao seu lado. Sou meio amiga, meio mãe.
E, se não existe uma pessoa no mundo que prefira superar esses defeitos para ter minha companhia, ok. Já estou cansada de correr atrás dos outros e levar portadas na cara, de me esforçar por alguém que depois vai simplesmente esquecer da minha existência.
From now on, I'm gonna just let it go, the way it is.
Em uma fração de segundo, minha vida fez uma volta de cento e oitenta graus. Não sou mais uma universitária, já posso dizer que praticamente deixei de ser campineira e. isso tudo, antes mesmo de completar os cinco anos da faculdade e me formar. Optei pelo caminho mais difícil, ou fácil, como queiram pensar. A condenável decisão de largar algo no meio do caminho, trocar o certo pelo incerto, recomeçar em busca de algo aparentemente melhor e que me fará feliz.
Somado a isso, há o fato de que parei para reparar e descobri que não pertenço a grupo algum. Qualquer lugar que eu vá, com as mais diferentes pessoas possíveis, ainda sim me sinto um peixe fora d'água, uma intrusa, uma peça avulsa em um quebra-cabeça perfeitamente encaixado, uma nota desafinada dentro de uma melodia totalmente harmoniosa. Não é como se eu me sentisse rejeitada ou excluída e nem mesmo que não me queiram por perto, apenas não me sinto completamente à vontade, como se sempre houvesse algo ou alguém impedindo isso.
Talvez, ou provavelmente, o motivo maior é a fase turbulenta que estou passando, o que acarreta em várias consequências nos outros campos da minha vida.
É uma mistura de sentimentos que só quem passou por isso sabe como estou me sentindo ,e certamente, é por essa razão que estou dedicando três posts praticamente seguidos a esse assunto. Solidão, por poucas pessoas ou quase ninguém estar realmente me apoiando. Decepção, por não ter sido capaz de concluir algo que eu mesma escolhi pra mim. Medo, de novamente estar caminhando na direção errada e, dessa vez, não ter o direito de errar. Culpa, por ter desperdiçado anos de dinheiro alheio à toa, no fundo, com consciência disso. Mas também garra, para conseguir o que eu quero; e alívio, por finalmente ter me livrado de algo que, a cada dia, me sufocava mais e mais. O melhor de tudo é poder, enfim, sorrir sinceramente.