Um grande grupo de adolescentes, provenientes da periferia, que se reúne em um shopping ou parque qualquer de São Paulo. Apedrejados por uns, glorificados por outros e popularmente conhecidos como "rolezinhos".
Muito se ouviu falar desses jovens nas últimas semanas, covardes atrocidades foram deliberadamente publicadas na mídia, um preconceito descarado se mostrou ainda incrustado em toda sociedade hipócrita e dissimulada em que estamos mergulhados.
Confesso que, com pouco conhecimento sobre o assunto, também tirei conclusões precipitadas. Os meios de comunicação em massa querem vender essa imagem de baderneiros meliantes que causam destruição e pânico por onde passam.
O problema não é errar, assim como eu mesma fiz, mas fincar um julgamento acusatório e condenante sem nem ao menos tentar colher informações menos sensacionalistas sobre os fatos. As pessoas os rotularam de bandidos, destruidores, deliquentes e todos os adjetivos pejorativos possíveis; os sentenciaram com base em qualquer notícia vista no cidade alerta; os insultaram após lerem matérias que são feitas e distorcidas com o único intuito de vender mais um exemplar.
Poucos se deram ao trabalho de averiguar se não se tratam apenas de pessoas querendo aproveita sua juventude ou se realmente são ladrões com o objetivo de roubar e usar a violência. É muito mais fácil continuar no conforto da bolha de preconceito que nos rodeia.
Não estou santificando nem demonizando ninguém. Provavelmente houve depredação e furtos como estão noticiando, assim como existiram nas passeatas pelos 0,20 centavos, nas comemorações de títulos de um campeonato de futebol ou em qualquer outro evento que aglomere uma grande quantidade de gente. Mas esses outros acontecimentos são esquecidos ou tratados com a normalidade de algo rotineiro, não proíbem passeatas, nem comemorações, nem recém universitários comemorando seu ingresso na faculdade em plena praça de alimentação. Mas impedem a entrada de meninos e meninas a um shopping center, usando a maior política segregacionista que poderia haver. Barram, desprezam e enxotam, como se expulsa um rato sujo que veio do esgoto, como se livra de algo supostamente desqualificado para estar lá.
Gostaria de saber desde quando não ter dinheiro é sinal de mau caratismo, em quê influencia morar em uma casa apertada e sem luxo, por quê passear tornou-se um hobby exclusivo da elite.
Se pobreza fosse sinônimo de desonestidade, o congresso brasileiro teria a maior concentração de honradez do mundo.
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mim
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