É, faz tempo.
O último rascunho de meus textos tem data de mais de meio ano atrás. Ele não foi terminado e menos ainda publicado.
Não há uma razão específica pela qual eu havia parado de escrever, apenas não consegui produzir nada nesses quase 9 meses. O que me entristece muito, já que tinha prometido a mim mesma que esse blog, entre tantos que já tive em minha vida, eu não abandonaria.
Mas enfim ressurgi, meio enferrujada e muito auto crítica, como sempre.
Recentemente completei mais uma primavera. Resolvi então usar minhas reflexões da vida como tema para esse retorno mais que adiado.
É bem nostálgico me recordar dos tempos de criança, quando minha mãe preparava um batalhão de docinhos e lembrancinhas para que eu pudesse ter uma festinha na escola e outra em casa.
Com o tempo, as comemorações no colégio acabaram e as em casa foram ficando menores, até se extinguirem também. Hoje em dia, eu ganho um parabéns e, talvez, um abraço.
O que quero dizer com isso?
Percebi que "virar gente grande" não é só se obrigar a levantar da cama logo cedo todos os dias, mesmo exausta ou doente; vai muito além das pessoas insuportáveis que se tem que aturar no ambiente de trabalho ou nos meios de transporte lotados; ultrapassa também todos os rótulos que a sociedade e sua família irão lhe colocar, uma vez que a maioria deles prefere apontar seus erros para amenizar os próprios; transpõe e destrói muitos dos sonhos idealizados e bonitos que tínhamos quando crianças.
Crescer traz coisas boas, não há como negar. Mas a partida da infância leva consigo sentimentos que, talvez apenas para mim, ainda sejam um tanto quanto importantes.
Não é só a inocência e a pureza que se dissipam com o passar dos anos. Os horários apertados e a intensa cobrança em cima dos adultos fazem com que eles tenham tempo apenas para cuidar de seu próprio umbigo. Não que isso seja de todo mal, mas é triste ver que as pessoas vão deixando de se importar com o vizinho, o amigo ou até mesmo o familiar. Aquele que um dia te ofertou um ombro para lhe reconfortar, hoje está ocupado demais com seu cotidiano para saber se você está precisando dele novamente.
Datas comemorativas começam a passar em branco, esquece-se da importância de um abraço e um gesto de carinho, o sorriso sincero dá lugar às rugas de apreensão na testa, o olhar torna-se propenso a enxergar pontos ruins e a camuflar as pequenas alegrias do dia-a-dia.
Só gostaria de voltar a ver o mesmo brilho nos olhos daqueles que me cercam. Derreter o gelo que a maturidade trata de construir no coração dos que crescem. E ter a certeza de que os arranhões do tempo não levarão embora também o melhor e mais puro sentimento do mundo.
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mim
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Obrigada por ler! ♥
... e se não for pedir muito, caso eu não te conheça, conte-me como chegou ao meu blog. (: